23/12/2008

Eu acredito!

Recebi esse comentário ontem no vídeo "Um Conto Corporativo de Natal":
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Eu acredito em papai noel desda 1º visita que me fizeram qd eu morava em um orfanato... acredito neste papai noel até hoje... desde que me deram de presente minha 1º barbie usada, foi magicooo!!.

Ele existe, eu sei!!
feliz Natal amigo.
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Esse comentário foi um dos melhores presentes de Natal que recebi nos últimos anos.

São palavras como essa que me motivam a continuar, apesar das críticas, apesar do esforço.

Obrigado!
Eu acredito!

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21/12/2008

2008, o ano que não acaba

2008 é um ano daqueles que mesmo depois que acaba, leva anos para terminar.

Esse foi o ano em que, até mesmo aquele mais indisposto à mudança, teve de se desconfortar em ao menos trocar os sapatos.

O clima de tensão estava no ar fazia algum tempo, afinal toda essa ansiedade e euforia trazida pela ganância do dinheiro fácil e volumoso tinha um preço. Todo mundo sabia que não estava certo, mas ninguém queria ser o primeiro a sair.

Saímos todos, mesmo os que nem entraram.

Ontem fui assistir a um show de um grande amigo, cantor de reggae. A festa era pré-reveillon, muita gente de branco, frutas à vontade e o desejo de contar logo de 10 a 1 e encerrar a temporada. Só faltou o champagne.

O champagne e os motivos da comemoração.
Comemorar o que?

Santa Catarina registra 125 mortes por causa das enchentes
Chuva tira 28 mil pessoas de casa em Minas Gerais
Maldivas podem sumir por causa do aquecimento global
Motorista dirige pela contra-mão na BR-153 em SP
Tiro de Lindemberg causou ação policial
Caso Isabella: polícia estranha depoimentos do casal
Economistas projetam desemprego de 8,5% em 2009

Na reunião do último dia no trabalho (antes das 2 semanas de descanso coletivo) a diretora confirma as suspeitas:

"- Ano que vêm só temos recursos financeiros até março e ainda é difícil dizer como serão as expectativas de novos projetos. Temos conversado sobre trabalhar com providências contra o aquecimento global com outras entidades, mas essa é uma discussão demorada."

"- Só vai sair depois que a Groelândia derreter." Eu respondi.

Acabou o clima da reunião.

Ontem falei sobre os fantasmas em outro post, mas vejo que é necessário explicar melhor o que são esses fantasmas. Fantasmas não são entidades que vagam por ai puxando o pé das crianças na cama, nem seres brancos que habitam o interior de construções antigas.

Fantasmas são sombras de experiências que não vivemos completamente. Sombras que carregamos escondidas em lugares do nosso espírito que não gostamos de visitar.

Sombras esquecidas que voltam justamente quando as situações externas se tornam mais frágeis, como nesse ano.

Receios, medos, amargura, pesadelos, tontura, exaustão, sofrimento.

Não ache que está sendo punido. Os fantasmas não estão lá para assustá-lo, eles não aterrorizam as pessoas por malvadeza, mas para chamar a atenção.

Os fantasmas querem ser curados.

Oportunidade linda que esse ano traz para resolver problemas muito maiores do que crises financeiras. Problemas muito mais próximos e reais a cada um de nós.

Hoje pela manhã acordei com a notícia que um primo distante foi baleado e está em coma. Minhas palavras são fruto do meu desejo de resgatá-lo, mas não apenas a ele, mas a todos que mesmo caminhando, trabalhando, conversando e vivendo, também estão em coma. . .

Que todos tenhamos coragem de mergulhar no desconhecido e retornar de peito aberto.
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19/12/2008

É tão difícil de ver, que ninguém escuta


Policial salva criança em Tijuana, México em janeiro de 2008




Guerreios Maassai em uma batalha no Kenya em março desse ano



Difícil de acreditar em tantos opostos em um mesmo período.

Difícil acreditar que ainda existam guerras na África com arco e flecha.

Difícil acreditar que o fuzil que mata também salva.

É comum criarmos julgamentos de valor, aceitar um e condenar outro. Argumentos não faltam, mas é a riqueza dessas duas fotos que me chamou a atenção.

Riqueza em saber que tudo isso existe aqui nesse planetinha azul, nesse lar que à distância não passa de um pálido ponto azul.

Nesse pálido ponto azul onde amamos, choramos, rimos, brincamos, trabalhamos, nos aprisionamos e também encontramos a Liberdade.

Ano novo, vida nova.

Mentira!

O ano que vêm será o que você quiser dele, de fuzil na mão ou arco e flecha, não permita que digam a você o que fazer; não permita que sua própria mente o engane com falsas promessas; não permita que seu corpo sedimente em idéias antigas; não permita que seu espírito fique paralizado diante de desafios que parecem insuperáveis.

O alvorecer revela os traços de um tigre caminhando calmamente pela floresta. Essa floresta escura dentro de nós também tem luz.

"Um dia tive medo de fantasmas, hoje os fantasmas tem medo de mim."

Acredite,
Realize.

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Essas imagens fazem parte do site The Big Picture e representam o ano de 2008 em fotografias.
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28/11/2008

Olha a realidade! Tá fresquinha moça! Vai levar?

Recebi esse comentário ontem sobre o vídeo do Castelo de Areia da Brinquedos Engodo (lembram?).

"Poeticamente idealisticamente falando o discurso não esta mal... "a moça do metro, o bebezinho que acabou de nacer"... Melhor voltamos todos pra epoca da caverna, sem telefone, sem casa, sem cobertor. "Não basta pensar na resposta, vc tem que ser a resposta"...(??)Eu só sei que no fim do mes nao adianta eu ir com este papinho no banco pq se nao pago as contas vou ter q dormir na rua. Bom idealista, mas esta 1 poko fora da realidade!(minha opinião desculpa).Valeu craque, um beijao!!"

É por isso que eu sempre digo que a gente tem de tomar muito cuidado...

No fim do dia a mente sempre tem uma justificativa para ter perdido o dia inteiro pensando em coisas pequenas. E isso vai ser igualzinho no fim do mês, no fim do ano e no fim da vida.

Ela vai arrumar todos os argumentos necessários para justificar os problemas e injustiças que aparentemente a vida colocou no seu caminho.

Cada hora o [PROBLEMA] vem vestido com uma fantasia diferente; hoje é a hipoteca, amanhã a parcela do carro, depois a solidão, semana que vêm a crise de meia idade, no outro mês a seca e no seguinte o excesso de chuva.

A mente não conhece a realidade, ela não pode nem tocar a realidade, você precisa ir além da mente, dos conceitos, dos rótulos, você precisa se TORNAR a realidade, respirar a realidade, viver a realidade!

Para mim o que está fora da realidade é essa "realidade" superficial que nos fazem acreditar.

Obrigado pelo comentário! ;)
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25/11/2008

Tem uma moeda ai, tio?


"É pior tragédia climática da história", diz governador de Santa Catarina.

Mais de 50 mil estão desabrigados e desalojados em SC.

Chuva mata 65 em SC; fornecimento de gás é suspenso até quarta.

Chuva em Santa Catarina deixa 160 mil casas sem luz.

Chuvas causam estragos e dificultam o tráfego em ao menos 18 rodovias em SC.


Mas e daí amigo?!

O que importa para o sistema é que ontem a bolsa subiu mais de 10%, o dólar caiu mais de 5% e quem deveria estar feliz está rindo à toa.

Para relembrar, o governo federal deu 4 bilhões para a indústria automobilística e agora a gente tem de ouvir um monte de propagandas na TV dizendo:

"Vejam! É pensando em você que a Ford/Fiat/GM/etc não aumentou as taxas de juros! Entrada zero!"

O governo federal deu 2 bilhões para as lojas varejistas e a gente tem de engolir:

"Aproveite! Preços antigos! Juros cada vez menores! Dedicação total a você!"

Agora para as pessoas sofrendo em Santa Catarina:

"O governo federal e os governos dos Estados do Paraná e do Rio Grande do Sul já anunciaram o auxílio às vítimas atingidas, disponibilizando medicamentos, cestas básicas, colchões, cobertores, travesseiros e materiais de limpeza."

Colchões, cobertores AND travesseiros! Uau! É por isso que hoje eu tenho certeza: perto da bolsa, as pessoas não valem NADA.
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24/11/2008

Reflexão sobre a Percepção de Valor Intrínseco

Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer.
Eis que o sujeito desce na estação do metrô: vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.
Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.
Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares. A experiência, gravada em vídeo mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.



A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post em abril de 2007 era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.
A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto.
Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife. Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas que são únicas, singulares e a que não damos a menor bola porque não vêm com a etiqueta de seu preço. O que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes? É o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser?

Essa experiência mostra como, na sociedade em que vivemos, os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detém o poder financeiro.

Mostra-nos como estamos condicionados a nos mover quando estamos no meio do rebanho.

12/11/2008

Na vida não existe CTRL+Z

"O Banco do Brasil vai liberar R$ 4 bilhões para os bancos das montadoras financiarem a venda de automóveis."

"A Caixa Econômica Federal vai colocar R$ 2 bilhões para financiar a venda de bens de consumo como eletrodomésticos, eletrônicos, móveis, e material de construção."

Ahhhhh! Agora sim! Poxa rapaz, agora eu vou dormir tranquilão!

Fico muito mais sossegado sabendo que o lucro da Volks, da Fiat, da GM, do Ponto Frio e das Lojas Americanas não vai diminuir nesse fim de ano.

Afinal de contas a crise pode apertar e as pessoas podem ficar desempregadas, mas estarão muito mais contentes passando fome com uma TV de plasma na sala e um Gol zerinho na garagem (sem gasolina).

Desde que começou a crise eu não tinha assistido o Jornal Nacional ainda, mas hoje assisti um pedaço e me deparei com essas notícias. É impressionante como a voz séria da Fátima Bernardes quase me fez acreditar que essas medidas são para o bem da Nação.

Façamos o seguinte, vamos propor um negócio diferente.

A gente autoriza o governo a dar o nosso dinheiro, e nos endividamos em troca de bens de consumo supérfluos, em prol do bem estar das redes varejistas e indústrias automobilísticas, mas somente se essas empresas assumirem o compromisso público de abrir mão do lucro líquido de TODOS os produtos e carros vendidos nesse período e reverterem esse dinheiro para ações sociais e ambientais.

Que tal? Muito mais justo não acham?
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