24/03/13

A Fábula das Areias

Um regato, vindo de sua fonte nas longínquas montanhas, passando por todos os tipos e espécies de regiões, finalmente alcançou as areias do deserto. Da mesma forma como atravessou todas as outras barreiras, tentou atravessar esta também, mas se deu conta de que ao entrar em contato com a areia, suas águas desapareciam.

Estava convencido, contudo, que seu destino era atravessar este deserto, mas não havia como. Uma voz oculta, vinda do próprio deserto, sussurrou: "O vento atravessa o deserto e da mesma maneira o regato pode fazê-lo".

O regato disse que estava investindo contra a areia e tudo que conseguia era ser absorvido; que o vento podia voar e por isso podia atravessar um deserto.

"Você não pode atravessar abrindo caminho de sua maneira costumeira, Você ou desaparecerá ou se tornará um pântano. Você precisa permitir que o vento o carregue a seu destino."

"Mas como isso pode acontecer?"

"Permitindo-se ser absorvido pelo vento."

Esta idéia não era aceitável para o regato.

Afinal de contas, ele jamais fora absorvido antes. Ele não queria perder sua individualidade e uma vez perdida, como saber se ela poderia um dia ser recuperada?

"O vento", disse a areia, "executa esta função. Ele ergue a água, carrega-a sobre o deserto e então a deixa cair novamente. Caindo como chuva, a água de novo se torna um rio."

"Como posso saber que isso é verdade?"

"É assim, se não acreditar você não poderá passar de um lamaçal e mesmo isso poderia levar muitos e muitos anos; e certamente um lamaçal não é o mesmo que um regato."

"Mas não posso permanecer o mesmo regato que sou hoje?"

"Em nenhum dos casos você pode permanecer assim", disse o sussurro. "Sua parte essencial é levada para longe e novamente forma um regato. Você se chama pelo que você é hoje porque não conhece qual é sua parte essencial."

Quando ele ouviu isso certos ecos começaram a surgir em seus pensamentos.

Vagamente se lembrou de um estado no qual ele - ou seria uma parte dele? - foi erguido nos braços de um vento. Lembrou-se também - será mesmo? - que esta era a coisa real, mas não necessariamente o óbvio a ser feito.

E o regato enfim se entregou aos receptivos braços do vento, que gentil e levemente o transportaram para cima e adiante, deixando-o cair suavemente tão logo eles alcançaram o topo de uma montanha, muitos quilômetros além. E porque teve suas dúvidas, o regato foi capaz de lembrar e gravar mais fortemente em sua mente os detalhes da experiência.

Ele refletiu:

"Sim, agora descobri minha verdadeira identidade".

O regato estava aprendendo, mas as areias sussurraram:

"Sabemos, pois vemos isto acontecer todos os dias; nós, as areias, nos estendemos da margem do rio até a montanha".

E é por isso que se diz estar escrito nas areias o caminho pelo qual o curso da vida deve continuar sua jornada...

16/01/13

A Message from within

Life is a time bomb waiting to explode, you have no way of knowing how much time is left and nothing you do can disarm it.

As a bumper car driver in an amusement park, you walk in circles dodging and bumping against everything, just trying to follow the path that you think is right.

Driven by desires and wishes that you do not know where it comes from, unable to make decisions without regret the consequences, you floats in periods of war and peace that becomes shorter or longer, but never ceases.

So the new year begins, the reception of the academy is full, the new optimists are convinced that from now on everything will be different, new habits, new ideas, new goals and the same old and grimy mind.

Do you really want to change? Stop with all the crap and read carefully.

Nobody change from outside to inside, other people can help you, but the responsibility is all yours. Do not worry about the decisions you made in the past, you were a blind man driving a tractor, you could hardly have had better actions. Begging now, take a new direction, watch yourself, step back and dive in who you are, this is not easy, this is not something that will be done in 15 minutes, it is a struggle of life that starts now and never ends.


Take a step back, start observing your mind, your thoughts, your emotions, as if you were not part of them, as if you are watching a movie, where everything is just fiction.

Once you get used to this, notice how your mind acts and reacts. How it uses the same arguments to achieve different conclusions, how it reverses the role of friends and enemies overnight without warnings, how it uses all possible tricks to convince you of something that often do not have any relevance, how it is fed by impulses that you have no idea where it comes from, how it reassemble memories that have gone long ago, how it transform in problems issues that are not so important. This uncontrolled and unstable mind has been your guide throughout all your life.

Once you have noticed how the mind works, how it orchestrates the symphony of destruction that rules your days, it's time to start using it to your advantage. Using the mechanisms of perception, analysis and synthesis, logically, to understand the desires hidden in your unconscious that influence your life without you noticing. It's time to evaluate your decisions and desires, just like a mechanic who repairs a deregulated motor.

The beauty of this is that once the creatures of the dark are brought to light, you realize that your defenses to avoid them were exaggerated and that the scary creatures are just unsolved memories from past events. After all, you're still here, alive, reading this, any evil that has afflicted you were not as great as you think.

No more sleeping with the lights on for fear of the dark;
No more delaying decisions because you feel unable to act;
No more escaping reality for not wanting to look at the monsters that inhabit you;
No more keeping your heart closed for fear of getting hurt again.

This is your life, the only one you have, what you gonna do about it? In the jungle all kings have scars, it is past the time for you to assume your throne. Courage!

12/01/13

Mensagens de dentro

A vida é uma bomba relógio prestes a explodir, você não tem como saber quanto tempo falta e nada que fizer pode desarmá-la.

Como numa pista de carrinho bate-bate de um parque de diversões, você anda em círculos desviando e se chocando contra tudo, tentando apenas seguir o caminho que você acha certo.

Impulsionado por desejos e vontades que você não sabe da onde vem, incapaz de tomar decisões sem se arrepender das consequências, os períodos de paz e tormenta se intercalam em escalas de tempos que variam, se tornam mais curtas ou espaçadas, mas nunca cessam.

Então o ano novo começa, a recepção da academia está cheia, os novos otimistas se convencem de que a partir de agora tudo será diferente, novos hábitos, novas ideias, novos objetivos e a mesma mente velha e encardida de sempre.

Quer mudar de verdade, pare com toda a babaquice e escute com atenção.

Ninguém muda de fora para dentro, outras pessoas podem lhe ajudar, mas a responsabilidade é toda sua. Não se preocupe com as decisões que você tomou no passado, você era um cego dirigindo um trator, dificilmente seria capaz de ter tido melhores ações. A partir desse momento assuma um novo rumo, observe a si mesmo, de um passo atrás e mergulhe em quem você é; isso não é um exercício, isso não é algo que será completo e realizado em 15 minutos, isso é um esforço de vida que começa agora e não termina nunca.

Dê um passo atrás, comece o treinamento de observar sua mente, seus pensamentos, suas emoções, como se você estivesse a parte delas, como se estivesse assistindo um filme projetado no cinema, onde tudo não passa de ficção.

Uma vez que você se acostume a fazer isso, observe como a mente age e reage. Como ela usa os mesmos argumentos para chegar a conclusões diferentes, como ela inverte o papel de amigos e inimigos da noite para o dia sem aviso prévio, como ela usa todas as artimanhas possíveis para lhe convencer de algo - algo esse que muitas vezes não tem relevância alguma - como ela é alimentada por impulsos que você nem imagina da onde vem, como ela remói lembranças de situações que já passaram há muito tempo, como ela aumenta e potencializa questões que no fundo nem são tão importantes. Essa mente sem controle, sem direção e sem estabilidade tem sido sua guia durante toda sua vida.

Uma vez que você tenha observado como a mente funciona, como ela orquestra a sinfonia da destruição que rege os seus dias, é hora de começar a usá-la a seu favor. Usar os mecanismos de percepção, análise e síntese, de forma lógica, para compreender os desejos escondidos no seu inconsciente que o influenciam sem que você perceba. É hora de avaliar suas decisões e desejos de fora, como um mecânico que conserta um motor desregulado.

A beleza disso, é que uma vez que as criaturas do escuro são trazidas à luz, você percebe que suas defesas para evitá-las eram exageradas; que as criaturas assustadoras não passam de memórias de situações superadas que ficaram mal resolvidas. Afinal de contas, você continua aqui, vivo, lendo esse texto, qualquer mal que tenha lhe afligido não foi tão grande como você imagina.

Chega de dormir com as luzes acesas por medo do escuro;
Chega de desviar de decisões que precisam ser tomadas por se julgar incapaz;
Chega de fugir da realidade por não querer olhar para os monstros que o habitam;
Chega de manter o coração fechado por medo de se ferir novamente.

Essa é a sua vida, a única que você tem, o que você vai fazer a respeito? Na selva todo rei tem cicatrizes, passou da hora de você assumir seu trono. Coragem!

10/11/12

Esquerdos humanos para humanos esquerdos

Me deparei hoje com um texto de Matheus Pichonelli da Carta Capital com o título "Direitos humanos para humanos direitos" e me veio a inspiração de escrever essa resposta.

Recomendo ler o texto da Carta Capital antes de ler o meu, para dar o contexto certo: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/direitos-humanos-para-humanos-direitos/

Esquerdos humanos para humanos esquerdos

Quisera eu que Raul fosse um sujeito inventado pelos amigos da faculdade para personalizar tudo que não queríamos nos transformar ao longo dos anos, infelizmente, Raul, ou Raulzito como ele gosta de ser chamado, é uma praga que infesta os corredores do campus.


Raulzito, revolucionário de bar e ativista do próprio umbigo.

Raulzito não é uma pessoa ou estereótipo, na verdade é o fruto de uma sociedade em relativo equilíbrio social, que só aprendeu o que é violência pelo noticiário da televisão e pelos jogos do videogame. Raulzito é um revolucionário que nunca passou sofrimento de verdade.

É a favor do casamento gay, mas nunca manteve um relacionamento sério por mais de seis meses. É a favor da liberação da maconha, mas sempre que fuma esquece a data do protesto. Toda a noite precisa dar um pega num baseadinho da massa para conseguir dormir, mas diz que não é viciado, afinal, maconha não vicia. Seu lema é “hasta la victoria siempre”, que leu no quadro de um hotel na recoleta em Buenos Aires, em uma de suas muitas viagens financiadas por papai. Em sua fase mais radical, ativista dos direitos animais, deixou de comer carne, mas não de peixe, porque rodízio de sushi é sagrado.

Cita autores e conhece os principais livros de esquerda, ama de paixão o Das Kapital, mas nunca leu, porque a professora não disponibilizou no xérox. Raulzito é assim, acostumado a ter tudo na mão. Defende a igualdade entre os povos e sonha com o fim das favelas, mas nunca trocou mais de duas frases com Dolores, a faxineira nordestina favelada que o criou. É ativista feroz dos direitos humanos, mas ficou ao lado da mãe quando Dolores um dia cobrou seus direitos, depois de 20 anos trabalhando sem carteira assinada.

Raulzito faz mobilizações virtuais e abaixo assinados contra desocupações de favelas em bairros distantes que, normalmente, nunca ouviu falar, mas sempre que pode caçoa do mendigo que costuma esmolar no farol da faculdade. Sua relação com as pessoas que passam por necessidades, porém, é muito amistosa, desde que o vidro filmado de seu carro esteja fechado e o ar condicionado ligado.

Eventualmente Raulzito e Almeidinha se encontram na fila do caixa do supermercado. Raulzito com um pack de Heineken e dois pacotes de Doritos e Almeidinha com a compra do mês e uma caixinha de Brahma. Almeidinha paga com uns trocados e passa o resto no débito, enquanto Raulzito joga tudo em seu cartão Emerald Premium sem limite. Raulzito sai com as compras em duas sacolinhas plásticas, ele queria usar sua sacola retornável, mas esqueceu no porta-malas do carro e ficou com preguiça de ir buscar.

Raulzito defende uma sociedade melhor, mas tem dificuldade em lidar com pessoas. Suas opiniões são definidas por uma visão reacionária dos fatos, baseada numa lógica distorcida de que o contrário do ruim é bom. Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais, no cume calmo do meu olho que vê, assenta a sombra sonora de um disco voador.

06/11/12

Fortaleza

Recebi essa mensagem de um amigo e compartilho aqui por achar que é uma pergunta que aflige a todos, sem exceção. Obviamente manterei a identidade dele como a nossa essência: anônima.

Caro, amigo.
Ultimamente sinto-me um prisioneiro dos meus vícios.
Sei tantas coisas certas a fazer mas não consigo deixar meus vícios.
Assistir TV, dormir tarde, desejo sexual, comer carne, açúcar, vinho.
E parece que estou sempre sem tempo. Atrasado.
Sou muito grato por Deus me deixar viver tantos dias.
Um após o outro. São muitas oportunidades de se Iluminar.
Acredito que a vida após essa encarnação pode ser infernal, e não é uma boa
idéia não estar disperto.
O que me falta para fazer o que eu sei que é o certo a fazer?
Eu sinto que teria que transformar minha casa num Templo, um Ashram.


Caro, amigo.
Eu te conheço há algum tempo e sei que às vezes você se deixa diminuir muito por essa cobrança constante que você mesmo se impõe.
Olhe em volta, sua família é maravilhosa, seus filhos são lindos e cheios de saúde e você tem agora uma condição financeira estável que lutou muito para conseguir. Não se esqueça disso, isso é a sua fortaleza.
O restante você pode ir trabalhando aos poucos, um dia após o outro.
Prazeres são bons também, desfrute com vontade e observe que eles são passageiros, que tudo é passageiro, mas que ainda assim, algo em nós é eterno e constante, isso que importa. Encontrar essa essência e manter a consciência dela é o que importa, comer menos carne, assistir menos TV, dormir tarde, tudo isso é secundário e começa a "desacontecer" naturalmente quando você está mais próximo de você mesmo.
Acho sua pergunta sensacional! Pense nela durante o seu dia, deixe ela amadurecer: "O que me falta para fazer o que eu sei que é o certo a fazer?". Talvez o caminho seja buscar por quem faz.

23/09/12

Entrelaços

Aperte o play e boa leitura.



...

Eu não sabia, ninguém sabia. Aconteceu e como aconteceu, desaconteceu. Tão intenso e rápido, deixando no ar se tudo foi realmente verdade ou não passou de ilusão.

No campo florido em plena primavera ela era uma roseira muito particular, ano após ano florescia apenas um botão. Muitos opinavam que o certo seria cortá-la para dar espaço a um espécime normal, mas nunca me importei, para mim aquela rosa era a mais especial de todo o jardim.

A cada estação aguardava ansioso pelo momento que começava a crescer, cuidando dela como uma filha e namorando de perto seu desabrochar. Sua beleza sempre me surpreendia a cada reencontro, nunca na vida vi outra flor tão especial.

Aquela rosa me transformou, me fez ver a realidade com olhos novos, por ângulos que antes não comtemplava. Sem exageros posso assegurar que minha história é marcada pelo antes e depois de nossos encontros.

Sua beleza ficava ainda mais especial nos dias de chuva, quando o silêncio da casa era quebrado apenas pela sua companhia. Sentia que quando estava em sua presença visitava uma outra dimensão, onde os momentos eram eternos e as horas escoavam em segundos. Minha vontade era largar tudo e viver apenas rosa, como se fosse possível abandonar minha forma e me tornar também botão, imortalizado lado a lado de minha amada.

De olhos fechados sou capaz de descrever cada detalhe de suas formas e relembrar sem esforço o aroma de seu perfume. Depois de minha rosa as outras flores não me preenchem mais, preso voluntariamente a um mundo infinito vermelho bordô.

Infelizmente só senti completamente tudo o que ela significava para mim depois que a perdi. Não sei se foi covardia, ou talvez baixa estima de acreditar que algo tão perfeito desabrochasse para mim de verdade, só sei que tão magicamente como apareceu ela se foi.

Perdido em meus delírios quis impor minha vontade possessiva a algo que cresceu em liberdade. Insciente esperei que sua beleza pudesse esconder o monstro em mim. Besta ferida por seus próprios espinhos que sangra até a última gota de suas más escolhas.

Sem poder se entregar minha amada rosa se fechou em si mesma.

Mais de uma vez chorei em silêncio, abafando a torturante dor no peito para passar por forte no exterior. Duro aprendizado de que lágrimas e lamúrios não trazem de volta o que se foi.

Do passado guardo apenas uma pequena caixa de recordações no fundo de minhas memórias. Ali cuido de cada detalhe de nossas lembranças. Todo dia antes de dormir, na segurança de minha solidão, abro a caixa por alguns momentos para reviver novamente o que um dia foi um amor imensurável. Quem aconselha a esquecer e virar a página a cada coração partido nunca se apaixonou de verdade.

Te amo, minha rosa. Onde quer que esteja, te amo!

Do seu eterno,
Cravo

11/09/12

Dia de feira

Todo dia é dia de feira. Os gritos abafados dos vendedores em meio à rua e os clientes apressados de um lado para o outro procurando o melhor pelo menor preço.

Mais por menos; o lema da sociedade de hoje. O celular pula na mesa, na mesma hora em que o e-mail chega, o facebook apita e o twitter xinga. O recado do chefe, funcionário, mulher, marido, amante, amigo, colega, começa sempre com a mesma frase: "URGENTE!!!" e uma exclamação apenas não basta.

Arrancam-se pedaços para preencher vazios que não podem ser preenchidos: “Não encontro às peças que faltam no meu quebra-cabeça, me dê as suas!”.

Assim as crianças aprendem brincando a matar um leão por dia e achar bonito; “Just do it! - Apenas faça!”, é o que dizem. Em nome de que? Em nome de quem?

Num mundo sem distâncias, de relacionamentos instantâneos, parece que as pessoas esqueceram como se relacionar. Ser amigo é mais que curtir?

Mais um dia se passou, mais um dia esquivando-se constantemente das agressões que surgem de todos os lados. Engula se quiser, mas não diga que é normal.

A mais valiosa empresa do mundo tem um valor de mercado de 600 bilhões de dólares. Apenas números imaginários em jogos de gente que se diz grande. 600 bilhões divididos por 7 bilhões de seres humanos: 85 mil dólares; mais dinheiro do que 78% dessas pessoas terão recebido em toda uma vida (The Economist, 2009). Não é normal!

A hipótese da geração espontânea há muito foi refutada; se algo cresce, alguém tem de diminuir. Mais, mais, mais, garante o comprimido de ganância distribuído na merenda.

Engula se quiser, mas não diga que não foi avisado, as estrelas são testemunhas.

Lá no fundo do espírito, no porão escuro das memórias abandonadas, o buraco negro do desconhecido continua ativo. O que sacia?

Os olhos encontram o céu, vasto dos dois lados. A brisa sopra suave no jardim e dentro não encontra obstáculos. Comunhão completa com o Cosmos; se tudo que é, é tudo de nós, por que brigar por uma dúzia de laranjas e meio quilo de tomate?